Medo no caminho

Olhando para minha infância vejo que fui uma criança medrosa, tinha medo de ficar sozinha, de ladrão, de me machucar, da morte, da loira do banheiro.... 😊

Em frente aos meus medos sempre busquei estar em locais que me sentisse segura e não tivesse que ficar “cara a cara” com os monstros que me assolavam.

Lembro-me da minha primeira noite após ter iniciado o Caminho de Santiago de Compostela, fiz a última parte do caminho que vai de Sarria até Santiago, em outubro de 2018.

Havia andado algumas horas e alguns quilômetros da cidade de Sarria até Laje, região da Galícia na Espanha.

Apesar de estar fazendo o caminho com meu marido, andamos grande parte do tempo em silêncio ou até mesmo separados. Caminhar naquele lindo dia de sol, me trouxe vários pensamentos sobre a minha vida e claro, sobre os meus medos.

Lembrei-me de quando tive síndrome do pânico em 2007 e que sentia calafrios, mal estar e a sensação da morte, que somente quem já passou por isso entenderá o que estou falando.

Pensar no medo, me deu medo. Medo de pensar que se acontecesse algo comigo, quem iria me ajudar, onde seria o hospital mais próximo?

A maioria das minhas férias eram em cidades onde facilmente eu encontrava pelo menos uma farmácia, estar no meio do nada me fez pensar que se algo acontecesse comigo não teria para onde ir ou quem me socorrer. Pensamentos que eu tinha quando estava em meio a uma crise de pânico.

O medo do medo é terrível, e naquele momento meu coração começou a bater forte, senti calafrios, tive vontade de voltar para Madrid, cidade grande onde tenho tudo com fácil acesso, ou por que não voltar para a segurança do meu lar em São Paulo?

Mas espere aí, eu estava bem. Eu não tinha mais síndrome do pânico, não teria por que passar mal dessa vez.

Respirei profundamente, coloquei foco na minha respiração e não mais nos meus pensamentos, com base no meu passado. Fui me acalmando aos poucos, fiquei meditando por alguns minutos e depois adormeci.

No outro dia acordei para seguir meu caminho, fui até o banheiro compartilhado do hostel onde estava hospedada, e ao entrar vi um quadro que não havia notado no dia anterior, que dizia:

“Disse o mestre: Se você seguir o caminho dos seus sonhos compromete-se com ele.

Não deixe a porta de saída aberta, com a desculpa de: Não é isso que eu queria. Essa frase mantém em si a semente da derrota.

Assuma seu caminho. Mesmo que você tenha alguns passos incertos, mesmo sabendo que pode fazer melhor do que está fazendo. Se você aceitar suas possibilidades no presente, com toda certeza você irá melhorar no futuro.

Mas se você negar suas limitações, jamais será libertado delas. Enfrente teu caminho com coragem, não tenha medo das críticas e acima de tudo não se deixe paralisar por suas próprias críticas.

Deus estará com você em suas noites de insônia e enxugará suas lágrimas com seu amor. Deus é Deus dos valentes.”

Meus olhos se encheram de lágrimas, naquele momento senti o poderoso Deus ao meu lado, cuidando de mim.

Fazer o caminho era um sonho, como muitos outros que tenho e quero viver. Naquela manhã me comprometi com o Caminho de Santiago e com o caminho da minha vida.

Decidi fechar algumas portas e não olhar para trás, seguir o caminho com coragem, sem negar as minhas limitações, sabendo que Deus é comigo e, apesar dos meus medos, eu posso ser valente e seguir adiante.

E assim segui caminhando rumo ao meu objetivo, que naquele momento era chegar em Santiago de Compostela.

E você:

  • Reconhece os seus medos? Quais deles estão tentando te parar?

  • Quais são as portas da sua vida que estão abertas e você precisa fechar?

  • O que falta para você assumir “seu caminho”?

  • Você tem se paralisado diante das críticas?

Renata Trinta, coach de carreira e liderança, aprendendo um pouco mais a cada dia sobre lidar com seus medos e suas limitações.

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